21 de março – Dia Internacional da Síndrome de Down

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Na semana passada, mais precisamente no último dia 21, foi comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down. Apesar de muitos avanços no que diz respeito a forma com que a sociedade enxerga e valoriza as pessoas que possuem a síndrome, infelizmente ainda existe muito preconceito e discriminação, inclusive de onde menos se espera ou que se deveria ter.

Para quem não sabe, síndrome de Down é um distúrbio genético que ocorre ao acaso durante a divisão celular do embrião. Esse distúrbio ocorre, em média, em 1 a cada 800 nascimentos e tem maiores chances de ocorrer em mães que engravidam quando mais velhas. É uma síndrome que atinge todas as etnias.

Em uma célula normal da espécie humana existem 46 cromossomos divididos em 23 pares. A pessoa que tem síndrome de Down possui 47 cromossomos, sendo que o cromossomo extra é ligado ao par 21.

A síndrome é diagnosticada logo após o nascimento, pelo médico pediatra que analisa as características fenotípicas comuns à síndrome, além de uma análise laboratorial clínica mais específica.

Apesar de algumas características físicas, mentais e motoras diferentes de um indivíduo para o outro, não existem graus da síndrome de Down. Contudo, o ambiente familiar, a educação e a cultura em que a pessoa está inserida influenciam muito no seu desenvolvimento.

Superação x preconceito

Mesmo com a data sendo amplamente divulgada, reforçando a ideia de que não há diferença naqueles que possuem a síndrome, e sim o contrário, que as pessoas com cromossomo a mais possuem o “cromossomo do amor”, não é difícil depararmos com falas e declarações grotescas, preconceituosas e estúpidas.

Um exemplo foi o caso da polêmica envolvendo a professora Débora Seabra, de 36 anos, primeira professora com síndrome de Down do país, e a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Marília Castro Neves.

A magistrada declarou, através de postagem em rede social, crítica aos professores com síndrome de Down. Na publicação, ela indaga sobre o que pode ensinar alguém portador da síndrome a outras pessoas, principalmente às crianças.

A mesma desembargadora já havia publicado recentemente notícias falsas em relação a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada recentemente.

Mostrando superioridade intelectual anos luz à da desembargadora, Débora respondeu as críticas feitas a ela por meio de uma carta resposta, enfatizando sua total capacidade de atuar como professora, onde finaliza com os seguintes dizeres: “Quem discrimina é criminoso!”

Débora é considerada exemplo no desenvolvimento de ações educativas no país e já recebeu, em 2015, o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação, em Brasília.

Muitos avanços, mas muitos retrocessos

É revoltante observar esse tipo de comportamento em pleno ano 2018. Difícil de entender a tamanha imbecilidade do ser humano em se achar superior ao outro por motivos assim.

Apesar de todo o trabalho de inclusão que muitas famílias, órgãos e instituições fazem constantemente, falta o principal: que as pessoas acreditem nesta inclusão de forma efetiva.

Como indivíduo que possui um membro portador da síndrome na família, fico maravilhada e encantada com os avanços que ele já conseguiu, mesmo com tanta falta de oportunidade e preconceito, mas ainda muito revoltada com o tratamento e imagem que alguns tem desses seres iluminados e de sensibilidade ímpar.

Que a data sirva de reforço e que a conscientização da sociedade aconteça todos os dias!

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